Saudades imensas. Bons tempos eram aqueles em que caminhávamos pelo pátio do colégio, cantando, programando o fim-de-semana. Sem álcool, sem cigarro, uma pipoca e um bom brigadeiro já bastava. Umas amigas de verdade e um assunto pra colocar em dia. Tantos sonhos. Parecia que criávamos asas e flutuávamos por tantos mundos, tantas alegrias, lágrimas e outras coisas tão fugazes. Não havia nada, nem um ser, nenhuma alma penada de coração partido ou uma estrela apagada para nos fazer desistir de sonhar nesse mundo tão imprevisível.
Depois vem Lobão, chorando pelo campo, e diz que "o cinema é só ilusão". Vem nosso poeta Cazuza, com suas palavras subversivas, dizendo que "o nosso amor a gente inventa pra se distrair". Grande Cartola, e seu alerta: "O mundo é um moinho. Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos". E já dizia Tom que a felicidade é como uma gota de orvalho numa pétala de flor. E logo vem, novamente, a louca vontade de ser criança; sonhar, flutuar, cantar. Deitar na grama, olhar pra cima, tirar a roupa e se jogar no mar. Lambuzar-se de sorvete e rolar na areia com o cachorro. Desenhar em forma de palitinhos pra mamãe pregar na geladeira.
E é assim, chorando, se distraindo, sonhando mesquinharias e vendo a felicidade escorrer pelas mãos que vamos tentando viver a vida.
Pois não venham agora, meus caros sábios poetas, cortar minhas asinhas. Não me deixem na ânsia de matar minha sede naquela saliva; não me impeçam de viver meu carpe diem irresponsável e nem de ir até o céu buscar algumas estrelas, mesmo que queimem minhas mãos ou sublimem na minha jornada.
E logo eu, a maior fã do amor, amante de pieguices e mais simples coisas da vida, não poderia deixar de finalizar minhas lamentações com o trecho de um dos favoritos, o poeta que, por vezes, me dá força pra continuar. "A vida só se dá pra quem se deu; pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não... Eu francamente já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer". Bravo, Vinícius!
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