Alice se esparramava na cama, como se as pernas já não suportassem mais o peso exaustivo da solidão. As lágrimas caíam como quando os olhos profundos tornavam-se rasos demais para suportar o peso da gota saudosa.
As vistas já fatigadas pareciam não encontrar a saída. Olhos teimosos que insistiam sempre em enxergar os mesmos olhos.
O corpo de Alice já não a pertencia mais, quando insistia em flutuar por aí, a seguir o aroma que seu olfato insistia em sentir. E buscava-o nas rosas, nas margaridas e nas orquídeas, mas só o encontrava naqueles braços. E pensava: "Por que é, braços cruzados, que te abres para elas, as Rosas, as Margaridas e Camélias personificadas, essas belezas fugazes, esses perfumes efêmeros que vão embora com os beija-flores, e não me deixa ser tua Dama-da-noite? A tua dama de todas as noites".
Prezada amiga da amiga,
Sou uma pessoa bastante tolerante. Já levei apunhaladas nas costas diversas vezes; desde melhores amigas, namorados, até dos inimigos mais indesejáveis. Isso você já deve saber, não é mesmo? O que não sabe é que estou cada dia mais calejada, amadurecendo, coisa que você deveria estar preocupada em fazer. Então, vou lhe dar uma dica: não confunda tolerante com trouxa. Se você acha que pode desmoronar milênios de momentos prazerosos com meia dúzia de aforismas, enganou-se. Meus 21 aninhos me trouxeram mais experiências que muitos sexagenários já viveram. Hipérboles à parte, o que venho falar nesse texto, é de uma virtude que muito me orgulho de possuir; integridade. Sabe o que isso significa? Deixe-me esclarecê-la.
“Integridade vem do latim integritate, significa a qualidade de alguém ou algo ser íntegro, de conduta reta, ética, educada, imparcial, brioso, pundonoroso , cuja natureza de ação nos dá uma imagem de inocência, pureza ou castidade, o que é íntegro, é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito. São exemplos de integridade moral e corporal: a vida íntegra, a integridade física, dos bens sociais e individuais, integridade da honra e da fama, a integridade da intimidade pessoal, do nome, da imagem e dos sentimentos. É indiscutível admissão da existência de determinados bens da personalidade e sua integridade, portanto, esta coaduna com o respeito, e este com a moral, e, quem tem moral, é íntegro.”
Não sei qual interpretação lhe deram seus neurônios autistas e sua cabecinha oca limitada, mas creio que você deva se conhecer melhor do que qualquer um. Logo, sabe o caráter que tem. E o pior é que orgulha-se disso. Eu não vou dizer que é inveja. Ah, não... nem todos os devios de caráter tem origem na inveja. Apesar de pode ser ecaixada no seu perfil, acredito que seu problema é um pouco mais grave. Uma puta necessidade de auto-afirmação e uma vontade exacerbada de aparecer. Baixa auto-estima em demasia. Poderia ficar horas descrevendo aquilo que se passa nessa sua vida leviana, mas não quero. E sabe por quê? Porque tenho muita pena de você. Se você acha que eu ficaria o tempo inteiro me perguntando qual a razão pela qual tem agido como uma louca desvairada na TPM, perdeu seu tempo. Me preocupo com aqueles que têm algo válido à acrescentar em minha vida.
Pra terminar, eu espero sinceramente que esse Deus que você diz acreditar coloque um pouco de decência em suas atitudes mesquinhas. E muita luz também, para que não volte a cruzar os caminhos dos outros como barata tonta atrás de sobras. Um dia alguém comerá suas migalhas.
Minha querida amiga,
Sei pouco de ti; acredito que temos uma longa vida para dividirmos nossas travessuras. Mas o que mais acredito é que carregas contigo aquele certo gafanhoto verde, juntamente com aquele sentimento tão bom e tão ruim, o mesmo amor que carrego comigo. Por vezes, a mesma dor. Poxa amiga, e como dói.
Por isso, minha amiga, por todas essas coincidências que nos uniram, além daquelas implícitas que só eu tu sabemos, é que tomei a liberdade para te escrever. Escrever, Fulana, qualquer sentimento que registrasse a minha admiração e qualquer força que não te levasse embora a esperança.
Li hoje teu texto. Li outros textos teus, também. Li vários, e é realmente encantador como consegues exteriorizar uma ingenuidade de menina e uma garra de mulher, essa coisa meio paradoxal que só os privilegiados conseguem entender. E são tão belas tuas palavras, minha amiga, que não se deve jamais encondê-las dentro de ti, muito menos num pedaço de papel.
As lágrimas, não as esconda. Deixe com que lavem tua alma e alivie teu coração, porque teu Beija-Flor há de ouvir teu lamento. O único beija-flor que deve se encontrar estático e longe do teu coração, é esse da cor da esperança, moldado em teu pescoço. Teu Beija-Flor personificado deve se libertar e voar para teu corpo e tua alma, ainda que com o mel desperdiçado. É que nós que amamos, bem sabes minha amiga, não somos exigentes.
Perdoa tua amiga exagerada que veio a aconselhar-te, é que sabes do que vivo... de ímpetos e exageros.
No mais, quero encontrar-te feliz, mil vezes mais, a dividir dores, alegrias e cigarros. Muita força a mim e a ti, e qua ainda aprendamos com o ar de professor.
Eu não quero, nessa minha ligeira passagem por este mundo, ninguém para me ensinar a viver. Não quero que me digam o que vestir, para onde ir, e, principalmente, quem amar. Quero amar intensamente, acima de todas as coisas. Quero que seja meu alimento, minha vestimenta, meu oxigênio. Quero vê-lo estampado em meus olhos, brilhando alegria e esbanjando poesia. Flutuar de tanto amor. Causar inveja aos cupidos. Mergulhar de cabeça, viver infinitamente. Pois o amor, e somente o amor, consegue parar o tempo, tornar-me imortal. Permitam-me viver de amor e ser eterna.
Saudades imensas. Bons tempos eram aqueles em que caminhávamos pelo pátio do colégio, cantando, programando o fim-de-semana. Sem álcool, sem cigarro, uma pipoca e um bom brigadeiro já bastava. Umas amigas de verdade e um assunto pra colocar em dia. Tantos sonhos. Parecia que criávamos asas e flutuávamos por tantos mundos, tantas alegrias, lágrimas e outras coisas tão fugazes. Não havia nada, nem um ser, nenhuma alma penada de coração partido ou uma estrela apagada para nos fazer desistir de sonhar nesse mundo tão imprevisível.
Depois vem Lobão, chorando pelo campo, e diz que "o cinema é só ilusão". Vem nosso poeta Cazuza, com suas palavras subversivas, dizendo que "o nosso amor a gente inventa pra se distrair". Grande Cartola, e seu alerta: "O mundo é um moinho. Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos". E já dizia Tom que a felicidade é como uma gota de orvalho numa pétala de flor. E logo vem, novamente, a louca vontade de ser criança; sonhar, flutuar, cantar. Deitar na grama, olhar pra cima, tirar a roupa e se jogar no mar. Lambuzar-se de sorvete e rolar na areia com o cachorro. Desenhar em forma de palitinhos pra mamãe pregar na geladeira.
E é assim, chorando, se distraindo, sonhando mesquinharias e vendo a felicidade escorrer pelas mãos que vamos tentando viver a vida.
Pois não venham agora, meus caros sábios poetas, cortar minhas asinhas. Não me deixem na ânsia de matar minha sede naquela saliva; não me impeçam de viver meu carpe diem irresponsável e nem de ir até o céu buscar algumas estrelas, mesmo que queimem minhas mãos ou sublimem na minha jornada.
E logo eu, a maior fã do amor, amante de pieguices e mais simples coisas da vida, não poderia deixar de finalizar minhas lamentações com o trecho de um dos favoritos, o poeta que, por vezes, me dá força pra continuar. "A vida só se dá pra quem se deu; pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não... Eu francamente já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer". Bravo, Vinícius!
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